Por: Luiza Xavier

A rede Mulheres in Rio promoveu no sábado (8/5) uma roda de conversa online para discutir de violência contra as mulheres no Brasil. Com o tema “Movimento contra a violência”, o evento reuniu integrantes do grupo, suas convidadas e o público em geral. Durante aproximadamente duas horas, profissionais de diversas áreas, como direito, psicologia e psicanálise, debateram aspectos relacionados a atos de violência que atingem o universo feminino, formas de preveni-los e combatê-los.

Márcia Thimóteo, uma das co-fundadoras do Mulheres in Rio, deu início ao evento apresentando dados alarmantes sobre o crescimento da violência contra a mulher desde o começo da pandemia da covid-19, que levou ao isolamento social. Em muitos casos, as mulheres se veem forçadas a conviver com seu agressor, além de estar impedida de sair de casa para denunciar os abusos sofridos. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou no primeiro semestre de 2020 648 casos de feminicídio – quando mulheres são mortas pelo simples fato de serem mulheres – 1,9% a mais que no mesmo período de 2019.

Em seguida, a psicanalista e doutoranda em arte Gilda Pitombo apresentou o tema pedofilia sob a perspectiva da peça teatral “Blackbird”, de David Harrower, baseada em fatos reais. A obra, encenada no Brasil pelos atores Viviani Rayes e Yashar Zambuzzi, sob a direção de Bruce Gomlevsky, conta a história de uma menina de 12 anos abusada sexualmente por um homem de 40 anos, que ela acredita ser o amor de sua vida. 

O fato de, na história, este homem desconhecido ter sido convidado a entrar na casa da família pelo próprio pai da menina, durante uma festa, reforça o que diversas pesquisas mostram, que a maior parte dos abusos é praticada por conhecidos das crianças e adolescentes vítimas desse tipo de violência. E, de acordo com Gilda Pitombo, também evidencia um traço forte da cultura brasileira: a cordialidade que, por vezes, acaba provocando tragédias. A psicanalista levou como convidada para a roda de conversa a atriz Viviani Rayes, que compartilhou com o público online a experiência intensa que teve ao interpretar uma jovem traumatizada e emocionalmente frágil, que busca compreender seu passado para seguir adiante.  

Dar atenção à fala da vítima é fundamental

Prestar atenção e dar a devida importância aos relatos que as crianças fazem sobre eventuais abusos ou ameaças que estão sofrendo é fundamental para protegê-las, evitando consequências mais graves, segundo as especialistas. Uma das conclusões a respeito do assunto, é que quando a queixa da vítima deixa de ser ouvida, ou é mesmo contestada, é como se ela estivesse sendo novamente abusada.

Advogada e consteladora, Christiane D’Elia falou sobre sua experiência no atendimento a mulheres vítimas de violência, ressaltando a importância da adoção da prática da constelação familiar sistêmica na área jurídica. Sua convidada, a também advogada Raphaella Estrella, contou como a constelação familiar pode ser uma saída para casos em que estejam sendo investigados abusos sexuais. Especialista em direito processual penal e terapeuta de constelação familiar sistêmica, Raphaella realiza pesquisas sobre o encarceramento feminino.

Os diversos tipos de violência praticados contra a mulher – física, sexual, psicológica, patrimonial e moral – foram apresentados pela psicóloga, psicanalista e terapeuta Adriana Borba. A especialista chamou a atenção para o fato de que, hoje, em briga de marido e mulher é preciso “meter a colher”, ou seja, apoiar a vítima e denunciar o agressor. Lembrando a relevância da Lei Maria da Penha, Adriana lembrou da necessidade de nos tornarmos multiplicadores de informação sobre os direitos da mulher, ressaltando que 

as mulheres serem bem acolhidas no momento de denunciar as agressões sofridas. 

O tema foi aprofundado pela convidada da psicóloga, Giselle do Espírito Santo,  delegada da DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) da Taquara, bairro da Zona Oeste do Rio. A policial civil falou sobre a necessidade de todos os envolvidos no combate à violência estarem dispostos mais a ouvir do que a falar, chamando a atenção para a empatia que, nesses casos, deixa de ser uma questão de gênero. Diferentemente do senso comum, Giselle considera que há policiais homens bem preparados para ouvir denúncias de mulheres contra agressores. 

Veronique Sales, uma das fundadoras do Mulheres in Rio, conduziu as perguntas dos convidados e fez o encerramento do evento on-line.

Próximo evento já está confirmado

Outra roda de conversa, desta vez de  presencial, já está confirmada. Será realizada no dia 21/5, das 15h às 17h, na Cidade das Artes. O evento gratuito será dedicado ao Feminino Atemporal, destacando nomes que trazem a força e o impacto da mulher na sociedade, hoje e no futuro.

Será abordado o papel da mulher “ageless” que, independentemente da idade, busca espaço para continuar atuando e contribuindo com um futuro inclusivo. Falaremos da mulher na ciência e tecnologia, das conquistas, dos desafios e dos caminhos para o futuro. E teremos a mulher, mãe, empreendedora, em busca de reforçar sua marca pessoal e a visibilidade de seus produtos e serviços.

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Luiza Xavier é jornalista, graduada pela Faculdade de Comunicação Hélio Alonso (FACHA) em 1992, com especialização em comunicação corporativa e marketing digital. É também assessora de imprensa, produtora de conteúdo e copywriter. Criou a Dupla Criação Comunicação & Eventos, onde desenvolve projetos para destacar e alavancar negócios de empreendedores e profissionais liberais de diversas áreas.

 

Já trabalhou como repórter, redatora e editora nos mais diferentes veículos de comunicação, como O Globo, Jornal do Brasil, Jornal do Commercio, Rádio CBN, Rádio e TV Bandeirantes, portal Tecnoblog, entre outros.

 

Tem interesse em empreendedorismo feminino, economia da vida real, finanças pessoais, consumo e direito do consumidor. E tudo que está relacionado ao comportamento humano. Recentemente, idealizou o coletivo Mulheres da Comunicação, que incentiva a troca de ideias, dicas e oportunidades entre jornalistas, publicitárias, relações públicas e demais profissionais da área.

 

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